
Depois da eliminação do Brasil pela Noruega, decidida pelos pés de Erling Haaland, Carlo Ancelotti gastou algumas palavras sobre o que havia acontecido em campo, em Nova York-Nova Jersey.
A seleção norueguesa venceu por 2 a 0, com dois gols de seu super-herói, e avançou às quartas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026™. Um terreno nunca antes visitado pelos escandinavos na história do torneio. Enquanto o poderoso Brasil caiu nas oitavas pela primeira vez desde 1990.
“Acho que merecíamos ganhar o jogo”, disse o italiano. “Sabíamos que eles podiam jogar nesse estilo, tentaram manter a intensidade do jogo com a posse de bola. Nós durante 70 minutos tivemos o jogo sob controle, mas o Haaland acabou decidindo."

Ancelotti resumiu assim sua visão da partida. Mas estava mais interessando em tentar jogar a bola adiante, até por reconhecer que aquele era um momento de luto esportivo para sua equipe e a torcida brasileira: “Estamos profundamente tristes”.
Posto isso, com o contrato renovado até 2030, porém, o vitorioso treinador achou que já era hora de recomeçar o trabalho. “Uma derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias. Não é um fim, é o início de um novo ciclo”, afirmou.
Carlo Ancelotti viveu sua primeira Copa do Mundo como treinador. Ele assumiu o comando da Seleção em maio de 2025. Tem pouco mais de um ano no cargo, então.
Para traçar um plano de jogo, mapear talentos e tentar reerguer uma equipe abalada. Perdeu talentos como Estêvão, Rodrygo e Eder Militão antes mesmo da convocação. Durante a Copa, viu Raphinha e Lucas Paquestá se lesionarem. Não foi nada fácil.
A Copa, no final das contas, para ele, foi mais um laboratório acelerado, em vez de um porto de chegada. “Vamos administrar essa derrota com um novo impulso ao trabalho e à avaliação dos jogadores”, afirmou, reforçando que o processo não será interrompido.
“Vamos tentar melhorar e buscar novas ideias. O mesmo que fizemos esse ano. Vamos administrar essa derrota com um novo impulso ao trabalho e na avaliação dos jogadores.”
Quando Ancelotti fala em ciclo, o capitão Marquinhos entende bem o que vem pela frente para a Seleção. Ao lado de Alisson, Casemiro e Neymar, ele é um dos remanescentes das campanhas de 2018 e 2022.
Visivelmente abalado, o zagueiro assumiu responsabilidades e pediu apoio à próxima geração. “Assumo a culpa. Eu, como capitão, os jogadores mais velhos, temos que assumir essa culpa para que as próximas gerações possam ter tranquilidade para trabalhar.”
Marquinhos, 32, pediu paciência, apoio e tempo – três elementos que raramente convivem com a urgência histórica da Seleção. “São quatro anos para que eles possam trabalhar para conseguir coisas grandes na próxima Copa.”
O discurso de Marquinhos também ecoa uma possível transição mais profunda. Neymar, que voltou ao estádio onde estreou pela Seleção em 2010, afirmou à ge tv brevemente na saída do gramado: “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”.
Haaland segue adiante para aterrorizar mais um sistema defensivo. A Seleção, por sua vez, vai ter muito o que processar. Quão longe terá de ir para se renovar? Quais serão seus novos protagonistas? Quais seriam as novas ideias que seu técnico pode aplicar?
Ancelotti, com sua serenidade habitual, ao menos já parece disposto a conduzir esse processo. “Acho que o trabalho foi bom. O futebol é assim, às vezes tem que administrar a tristeza de uma derrota. Estou acostumado a isso”, disse.
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